Bebel Platz



Atendendo a pedidos, me foi sugerida a visita a essa imponente praça, a Bebel Platz, localizada no bairro de Mitte, mais especificamente na Av. Unter den Linden. Uma das mais belas praças da cidade abriga vários importantes edifícios que foram construídos a partir de 1741 a pedido do então rei da Prussia Frederick II, com o objetivo de criar um centro de arquitetura e cultura do Império Prussiano com uma ópera, uma biblioteca e um palácio real. Ao longo dos anos o plano original foi sendo alterado mas o cunho e a inspiração em obras romanas dos edifícios foram mantidos.


De costas para a avenida, a sua esquerda encontra-se a Ópera de Berlim que, em um breve relato, foi o primeiro edifício a ser construído na praça inspirado em La Rotonda - importante obra italiana em estilo romano do arquiteto Andrea Palladio. Sua inauguração foi em 1742 e logo os concertos ganharam cada vez mais importância na cidade. Ao longo de sua história sofreu com um incêndio e com os bombardeios da Segunda Guerra Mundial e assim foi reconstruída, demolida e construída novamente até a sua mais recente restauração que ocorreu em 2017. A Ópera realiza visitas guiadas a um valor de 15,00 euros. Acesse as informações atualizadas aqui!


Seguindo adiante em sentido horário, está localizada a Catedral de Sta. Edwiges, inspirada  também na obra italiana o Panteão. Inaugurada em 1773 a pedido da população, foi a primeira igreja católica de Berlim. Assim como a Ópera, foi destruída durante a Segunda Guerra Mundial e reconstruída em meados de 1952. A Catedral pode ser visitada gratuitamente fora dos horários de missa. Acesse as informações atualizadas aqui!



Ao lado da Catedral, fica o Hotel de Rome, onde desde sua concepção funcionou a sede do Banco Desdner, importante banco alemão no século XIX. O edifício também sofreu com a Segunda Guerra Mundial e assim como a Catedral foi reconstruída em 1952. Após a guerra funcionou como cinema e depois como banco estatal para a DDR Deutsche Demokratische Republik (República Democrática da Alemanha). Após a reunificação da Alemanha o edifício chegou a ficar mais de uma década vazio e recebeu alguns escritórios até que em 2006 foi inaugurado o hotel, considerado de luxo. Para conhecer o edifício por dentro e sobre o funcionamento do hotel acesse aqui!


Por fim, completando a praça, está a Universidade Humboldt. Foi fundada em 1810 com o nome Universidade Friedrich-Wilhelm e formou diversas figuras importantes da Alemanha, entre elas o físico Albert Einstein. No período do regime nazista se tornou, assim como todas as universidades da Alemanha, uma Instituição Nazista de Ensino. Após a guerra, sob domínio do Comunismo, os estudantes eram rigorosamente selecionados para garantir que não haveria oposição ao regime da época dentro da Universidade. Após a reunificação do país a universidade passou por uma reestruturação e seu corpo docente foi inteiro substituído por professores da Alemanha Ocidental. Atualmente a Universidade Humboldt é pública e possui mais de 35mil estudante entre eles mais de 4mil estrangeiros. Para conhecer mais sobre a universidade acesse aqui!


Como haviam me dito, realmente é um lugar emocionante, não só pela beleza dos edifícios que a circundam mas também pela sua história.
Em 10 de Maio de 1933 esse complexo de belezas foi palco de uma grande fogueira onde se queimaram mais de 20mil livros a mando dos nazistas, a maioria deles da biblioteca da Universidade Humboldt.

Essa iniciativa foi dada por estudantes da União Nacional dos Estudantes Alemães Socialistas pois, influenciados pelo governo de Hitler, acreditavam que determinados autores entres eles Sigmund Freud e Karl Marx traziam em suas obras críticas aos padrões impostos pelo regime nazista e que assim seria necessária uma "purificação" da literatura alemã. O ato, que infelizmente ocorreu em mais 34 cidades universitárias simultaneamente e depois se perpetuou em várias outras menores pela Alemanha, foi televisionado e transmitido pelo rádio.


A partir desse dia, foi criada uma "lista negra" que constavam os títulos de escritores "não-alemães", como eram chamados e com ela deu-se início a uma caçada a todas as obras que fossem consideradas impuras. Tropas nazistas invadiam casas, livrarias e bibliotecas a procura dos títulos listados.

Diferentemente dos acusados, outros intelectuais e a burguesia da época mantiveram a distância e tampouco mostraram resistência. Já os críticos, alguns tiveram seus títulos acadêmicos cassados, foram censurados ou emigraram para outros países e outros optaram ainda por protestar se retirando da Academia de Letras/Artes como forma de repudiar o fato de ser difamado por pensar de forma diferente.

A prática se arrastou por anos e estima-se que 100mil livros foram queimados com esse propósito.


Depois da reunificação, em 1995, o artista israelense Micha Ullman foi convidado para fazer um memorial em homenagem aos livros que ali foram queimados. No chão da praça há uma placa de vidro transparente em que é possível ver uma sala subterrânea. Nela, estão várias estantes vazias, sem um livro sequer. As estantes são grandes o suficiente para acomodar propositalmente os 20 mil livros que foram destruídos naquela noite. 

Próximo ao vidro, duas placa com os dizeres:

Aquilo foi somente um prelúdio; onde se queimam livros, queimam-se no final também pessoas - Heinrich Heine ” 
“No centro dessa praça, em 10 de maio de 1933, estudantes nacional-socialistas queimaram as obras de centenas de escritores, editores, filósofos e cientistas”.


A praça recebe atualmente várias manifestações simbólicas com a intenção de reforçar a importância da leitura e principalmente da liberdade de expressão.




Abraços,
Dany 💁


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